
Evolução e Ateísmo.
“No sistema evolucionista de pensamento não há mais necessidade ou lugar para o sobrenatural. A Terra não foi criada, mas evoluiu. Assim ocorreu com todos os animais e plantas que a povoam, incluindo nossos egos, mente e alma, bem como o cérebro e o corpo. Desse modo evoluiu também a religião. O homem assim evoluído não pode mais se refugiar de sua solidão procurando abrigo nos braços de uma figura de pai divinizada que ele mesmo criou.” (Julian Huxley – Biólogo e orador das festividades do centenário da publicação de “A Origem das Espécies ” de Charles Darwin 1859 -1959 -Huxley, J., Associated Press Dispatch, Novembro 27, 1959).
Essa declaração feita por um dos maiores evolucionistas do século 20 me fez pensar sobre a relação da teoria Darwinista da evolução das espécies e o pensamento recional nos dias de hoje. Os antagonistas da teoria de Charles Darwin, na sua maioria religiosos, defendem que a “crença” na teoria da evolução conduz ao ateísmo. De fato, se seguirmos o raciocíno da citação de Huxley, a teoria de Darwin tirou Deus do papel de criador da vida. E retirou do género humano o título de “primazia da criação”.
A filosofia naturalista, que foi de onde Darwin tomou as rédeas para elaborar a sua teoria da evolução, postula que da matéria inanimada evoluiu primeiro ser vivo unicelular. Porém não tem muita base para levantar teorias convincentes para o que gerou esta mudança de estado da matéria. A ciência se baseia em evidências, e as evidências que temos são os fósseis de nossos antepasados, e possibilidade de compara-los e durante essa comparação notar as principais diferenças e notar que elas foram evoluindo com o passar do tempo devido a necessidade de adaptação a fatores externos. Na ótica dos religiosos, Deus seria o “fator externo” que teria empurrado o primeiro “caldo orgânico” (Barro, segundo o mito biblíco do Gênese), a gerar a primeira forma de vida unicelular.
Porém para um evolucionista a crença em Deus se torna absolutamente desnecessária, pois o sistema evolucionista recorre à crença na existência eterna da matéria e em sua capacidade de se auto-organizar, atingindo níveis de organização cada vez mais complexos. E nós, como seres que evoluimos dos grandes primatas, somos fruto exatamente dessa complexidade.
Com sua teoria Darwin na verdade, pretendia apenas explicar a origem das espécies a partir de vida pré-existente. Sua teoria, porém, acabou por transcender os limites da biologia, disseminando-se por todos os campos do conhecimento. Por isso hoje termos como “Darwinismo Social” “Darwinismo Econômico” demonstram como sua teoria é hoje aplicada à diferentes áreas do conehcimento humano. Assim, não foi difícil imaginar que a religião poderia ser apenas uma invenção da mente humana. Um “meme” que evoluiu desde que o homem pela primeira vez percebeu que estava só em um universo incomensurável e sentiu um misto de pavor, desamparo e solidão. E depois de milhares de anos , esse meme quase tão antigo quando a raça humana, tem sua existência atrelada à existência do prórpio “homo-sapiens.
A recente adaptação para o cinema “O Planeta dos Macacos” (The Rise of the Planet of the Apes – 2011), a mais realista de todas na minha opinião, é um ótimo exemplo de como a evolução é o primeiro motor da grande maioria dos eventos relevantes na história de nossa civilização.
Desde o primeiro filme de 1968, onde o astronauta George Taylor (Charlton Heston) volta à terra dois mil anos no futuro apenas para descobrir que os grandes primatas se tornaram a espécie dominante na terra, o público se questionou sobre quanto tempo seria necessário para que isso pudesse acontecer.
Como a raça humana poderia involuir a umj estágio tão primitivo quanto o retratato no primeiro filme? Depois de ver o caso da menina Ucraniana Oxana Malaya e ler sobre as antigas experiências (ainda que a historicidade das mesmas seja questionável) de crianças deixadas sem qualquer contato com a linguagem humana, o quadro descrito no filme é perfeitamente plausível.
Porém 40 anos depois a origem da evolução dos primatas que herdam o controle do planeta recebe uma nova explicação, que exemplifica em termos práticos a teoria darwinista de forma bem mais empírica do que no original.
Em “Planeta dos Macados: O início, tudo começa com César. Um chimpanzé cuja a mãe era usada para testes de terapia genética de uma droga para curar o mal de Alzheimer em humanos. O que provocou uma evolução acelerada em sua capacidade cognitiva. César herda a mutação genética (provocada por fatores externos) de sua mãe, e quando tem contato com uma versão aprimorda da droga que provocou as mutações em sua mãe, desenvolve suas faculdades mentais ao ponto de organizar um levante contra os seres humanos que escravizavam sua espécie. Transpondo porém o resultado do “determinismo genético” no qual nasceu, César também se torna fruto do meio onde é criado. Um ambiente totalmente “humano”, onde a figura paterna de seu criador, o cientista Will Rodman (James Franco) é fundamental para o aprendizado de César que além de dominar o uso de todos os utansílhos domésticos, assim como a linguagem de sinais, assimila e desenvolve conceitos como justiça, compaixão e piedade sob a ótica de nossa civilização.
Qualquer motivação metafísica para essas qualidades altruístas no filme é descartada. A substância capaz de curar o mal de Alzheimer é fruto do amor do cientista Will por seu pai Charles (John Lithgow) que ao assitir toda a capacidade mental de seu pai se esvair dia a dia, toma ânimo e garra em suas pesquisas em busca de uma cura. A evolução dos símios, e mais especificamente de César, ocorre indiretamente devido ao amor desesperado de Will para com seu pai doente.
Em contrapartida César, um chimpanzé, desenvolve tamanha revolta contra as torturas e mortes de seus semelhantes, que se torna o supremo comandante de uma revolução de primatas, utilizando-se de elaboradas estratégias militares e tácticas de guerilha para conseguir libertar seu povo. Suas características emocionais também ficam mais evidentes a medida que ele evoluiu sob o efeito da droga. O filme na verdade retrata um “salto evolutivo” ocasionado por uma substância química, mas que obedece aos mesmos parâmetros de desenvolvimento postulados por Darwin.
Com base em tudo isso, eu não tenho medo de afirmar que a teoria da evolução não leva às pessoas ao ateísmo por atacar a idéia de um deus, e sim por demonstrar de forma não-intencional que essa figura é totalmente irrelevante em todo o processo. Todas os seres vivos possuem características inatas à sua especie. E não é “por acaso” que reconhecemos comportamentos morais e éticos apenas em seres em um estágio de evolução próximo do homo-sapiens, e sim em todos os grandes mamíferos, não apenas nos grandes primatas.
Também não é “por acaso” que um dos maiores defensores do ateísmo da atualidade, também seja chamado de “maior evolucionista vivo”. O Prof. Richard Dawkins, atutor de “Deus, um delírio”, define muito bem sua postura em relação a idéia da moral humana estar atrelada às religioões e não à evolução de nossa espécie.
“Não precisamos das religiões para estabelecer a nossa moral! A ciência e a crença em um Deus criador do universo são incompatíveis entre si. A ciência ainda não sabe o que aconteceu exatamente no momento do bing bang, há 13,72 bilhões de anos. Mas físicos e cosmólogos estão avançando no sentido de provar que o “universo surgiu literalmente do nada através de um evento quântico”.
Certo ou não em suas afirmações, o certo é que toda a nossa capacidade de auto-conhecimento evoluiu desde que saimos das cavernas e começamos a andar de forma ereta. E é lógico afirmar, mais ainda depois de ver o filme, que se nossas características mais belas se tornam mais evidentes quando atingimos estágios mais adiantados na nossa estrada evolutiva, se quisermos garantir nossa sobrevivência como espécie dominante nesse planeta, devemos por em pratica aquilo que já nos é inato por herança.
Ave César!!!
(Hércules Florence)











